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Ecossistemas de Inovação

UM CONCEITO BIOLÓGICO.

Lembra daquela aula de ecologia no colégio? Foi nesta aula que a palavra ecossistema deve ter chegado pela primeira vez aos seus ouvidos, lá você deve ter aprendido que ecossistema é o local de interação entre seres vivos e fatores físicos e químicos, constituindo um sistema estável, equilibrado e autossuficiente.

No empreendedorismo usamos o termo “ecossistema de inovação” para falar sobre um ambiente onde estão presentes empreendedores, empresas, indústrias, geração de conhecimento e políticas públicas no sentido de construir uma interação harmônica e colaborativa entre atores, acelerando processos de inovação para criar melhores soluções.

UM POUCO DE HISTÓRIA.

Nós somos uma construção da história, aquilo que fazemos com o que fizeram de nós, e para entender para onde vamos, para compreender que futuro que nos espera (e que podemos contruir) é importante saber das bases que moldaram o hoje. Por este motivo trago aqui uma linha histórica resumida deste processo.

A história dos ecossistemas de inovação foram desenhadas no decorrer dos últimos séculos, o economista alemão George Friedrich List na metade do século 19 argumentava sobre a necessidade de um “sistema nacional” para o desenvolvimento econômico. Uma das mais importantes contribuições geradas por esta ideia foi a construção de uma base de fabricação nacional e de proteção as indústrias jovens estratégicas que ficavam protegidas da concorrência estrangeira até chegarem em um nível de maturidade que garantisse uma competição equilibrada com sucesso internacional.

Já perto da virada para o século 20, o inglês Alfred Marshall desenvolveu o termo “aglomeração” baseado na análise de inúmeras pequenas empresas e serviços localizados em Sheffield, no norte da Inglaterra, ao entorno das indústrias de talheres, uma potencia na época. As empresas próximas desse “ecossistema” acabavam por ter vantagens em relação as outras que não tinham esse diferencial territorial.

O sueco Eric Dahmén, inspirado por Schumpeter, lançou em 1950 uma receita para o desenvolvimento económico do país, deu a ele o nome de “blocos de desenvolvimento” usou noções como o papel de empreendedores, capital, vendaval criativo e deu foco em determinadas indústrias de desenvolvimento.

Indo mais pra frente na linha do tempo, no final da década de 80, Freeman e Lundvall criaram o termo “sistema nacional de inovação” fazendo estudos de caso no Japão e em países nórdicos, um conceito mais abrangente que buscou não somente atores principais como empresas, capital e empresários, mas também as leis que regulamentavam os mercados de trabalho e outros fatores como educação e politicas de desenvolvimento económico, por exemplo.

Uma década mais tarde temos a publicação de “A Vantagem Competitiva das Nações” de Michael Porter que introduziu o conceito de “clusters” como um veículo para o desenvolvimento econômico de indústrias, regiões e nações. Apesar de conter muitos dos conceitos já existentes e já trazidos aqui, alcançou mais reconhecimento e pessoas do que qualquer um dos outros conceitos, tanto que centenas de países implementaram algum conceito de política de clusters baseado em Porter.

Já no século XXI é impossível não falar da Universidade de Stanford e da rede internacional de ecossistemas de inovação e cooperação existentes puxada pela instituição, que trabalha com parceiros de diversos lugares do mundo como Finlândia, China e Japão, por exemplo. Tendo sido berços de muitas empresas que mudaram nossa forma de nos relacionarmos com o mundo.

Hoje vivemos na era da informação, do conhecimento e do mundo sem fronteiras e devemos tudo isto a história, mas o que esperar do mundo e dos avanços no entendimento e aplicação dos ecossistemas de inovação.

NOVOS PENSAMENTOS

Usamos conceitos os económicos de aglomeração, seja em termos geográficos, econômicos, industriais ou empresariais, para o desenvolvimento teórico e prático dos Ecossistemas de Inovação. Aqui estamos falando principalmente sobre as regiões inovadoras, plataformas de TIC bem sucedidas e novas indústrias que fazem empreendedores e investidores de todo o mundo crescerem, dando saltos de valor, no movimento desses sucessos.

Porém, as principais novidades em ecossistemas de inovação, comparando ao processo histórico, está principalmente no aumento da sua dimensão possível, com a internet cada vez mais rápida, mobiles cada vez mais potentes e mundo cada vez mais global, distancias são cada vez menores e, independente de localização geográfica, é possível trabalhar em equipe, sinergicamente, propondo soluções para problemas globais e fazer interações para inovação sem fronteiras. O que não era possível até o século XXI.

AS HÉLICES DA INOVAÇÃO E O IMPACTO SOCIAL

A humanidade usa as hélices para gerar energia, desde os moinhos de vento aos geradores eólicos de eletricidade. Evoluímos também no entendimento dos atores mais importantes para gerar não somente energia, mas também sinergia nos processos de inovação e desenvolvimento das comunidades.

Os ecossistemas de inovação podem ser analisados através dos modelos de hélice de inovação, integrando e dando uma melhor visão aos atores participantes e necessários para o desenvolvimento.

Da tripla hélice à penta hélice, surge uma nova dimensão de pensamento muito importante, quando a sociedade e os cidadãos, empreendedores sociais, participam da inovação nas cidades de maneira integrada e inteligente.

Falarei mais profundamente em futuros posts sobre como podemos integrar novos atores sinergicamente nos processos de inovação, mas é claro que a proximidade com quem mora e vive os problemas é uma oportunidade gigantesca para propor melhores soluções e tomar soluções mais assertivas.

Bem como, quando integramos a comunidade no processo, temos mais pessoas pensando e colaborando para resolver problemas, alias a história do sucesso da humanidade tem muito mais a ver com as vezes que trabalhamos integrados colaborando do que de quando vivemos isolados em competição.

O QUE OS ECOSSISTEMAS DE INOVAÇÃO PROPORCIONAM

  1. APRENDER EXPONENCIALMENTE:

A troca de experiências entre os atores dos ecossistemas proporciona um aprendizado que tende ao exponencial, ou seja, conseguimos aprender de diversas formas e multilateralmente. Diminuímos erros aprendendo com os erros dos outros, aprendemos sobre empreendedorismo com o CEO de uma grande empresa, sobre educação com o pesquisador da Universidade e sobre programação com o nerd da sala ao lado. Ecossistemas de inovação nos proporcionam muito mais aprendizado em menos tempo, onde podemos acompanhar os processos de perto e contribuir de forma mútua.

  • NETWORKING:

Em um ecossistema de inovação que funciona de maneira efetiva os encontros são proporcionados pelo ambiente e pelas interações necessárias para o funcionamento do Ecossistema, dessa maneira os atores que fazem parte dele conseguem trabalhar melhor o networking, de forma mais ativa, tornando possível conhecer melhor e confiar nos trabalhos uns dos outros.

  • JOVENS TALENTOS:

Um grande desafio para os atores de um ecossistema, principalmente empresas de base tecnológica, é buscar novos talentos, aqueles com potencial exponencial. Fazer parte de um ecossistema de inovação, com universidades, por exemplo, aproxima talentos e atrai atenção de profissionais com vontade de crescer, o que ajuda também a fortalecer o ciclo de trabalho.

  • AJUDA A COMUNIDADE:

Na medida que ecossistemas de inovação se consolidam e passam a fazer parte da vida da comunidade, também traz desenvolvimento, multilateralmente, ou seja, Universidades avançam, desenvolvemos talentos, conhecimento é compartilhado, empresas geram riqueza, governos bebem da inteligência usando-as em soluções cotidianas, enfim, há um aumento no bem-estar e nas condições sociais em torno do ecossistema de inovação.

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